Uma vez que conseguimos visualizar, entender e aceitar nossos limites, é chegado a hora de começamos a trabalha-los, manipulá-los, destrincha-los, cercando-os. Com certeza, na maioria das vezes, encarar limites faz com que trabalhemos com nossa criatividade para superá-los. Estas alternativas provavelmente nunca estariam sendo desenvolvidas se não olharmos para eles de frente. Conheci uma pianista no EUA que tinha as mãos muito, muito pequenas, sendo que ela não conseguia ultrapassar certas aberturas necessárias para ter uma carreira como concertista. Ela acabou por trabalhar no desenvolvimento de suas próprias músicas, as quais ela podia e tinha controle total sobre a técnica desejada, e tornou-se uma compositora de grande capacidade e talento.
Nossos limites e como olhamos para eles é algo que acaba por desenvolver nossa identidade musical. A maneira como encaramos a música e como trabalhamos para buscar nossos resultados acabam por determinar a maneira como tocamos um instrumento. E isso é diferente para cada um de nós. É exatamente ai que reside a beleza e a incrível consistência da arte: as notas são as mesmas pra todo mundo, mas o que cada um faz com elas é único e sempre diferente. Se você tiver dois alunos com a mesma idade, a mesma estrutura e equipamento, e eles começarem a fazer aula de um instrumento juntos, depois de apenas alguns meses cada um deles já estará em lugares completamente diferentes.
Texto de autoria de André Martins, extraido da Revista Cover Guitarra, edição 119, Nov. 2004






